Como afastar um vampiro? - Água benta, hóstia e crucifixo


De acordo com Melton (2003, p.181) as crenças em vampiros são anteriores ao cristianismo, portanto o folclore anterior à difusão da religião não menciona qualquer problema destes seres com os símbolos cristãos. Foi somente a partir do século XIII e XIV com a Inquisição que as crenças pagãs passaram a ser combatidas fortemente e vampiros, bruxas ou qualquer criatura relacionada ao paganismo passou a ser associada à Satã, portanto precisava ser combatida e destruída. Assim os vampiros passaram a temer os símbolos cristãos como o crucifixo, a água benta e a hóstia.
  
"O medo das feiticeiras, dos vampiros e de outros monstros é acentuado pela ação da Igreja militante. Para a Igreja católica o problema do vampirismo era um problema político. A simples existência do vampiro coloca em questão o dogma católico e o poder político da Igreja. Segundo o dogma católico as almas dos mortos têm três alternativas: Inferno, Purgatório e Paraíso. Não existem almas que errem sobre a terra. Por isso, a caça a estes seres imaginários assim como a seus servidores era plenamente justificada." (BUSE, 2010, p.129).

Na literatura o temor aos símbolos religiosos é iniciado por Bram Stoker em Drácula, até então não era relevante. Seguindo Stoker os romances posteriores e logo após o cinema passaram a tratar o vampiro como um ser amaldiçoada por Deus, temente à ele que não podiam entrar em igrejas ou locais sagrados. A literatura atual, porém passou a descartar o simbolismo cristão, os vampiros atuais já não são se importam com isto, os vampiros de Anne Rice não tem qualquer dogma religioso.
Na badalada série Crepúsculo de Stephenie Meyer (2008) os vampiros não esboçam nenhum temor à cruz, pelo contrário, mantém uma em sua casa como ornamento, o que causa espanto à protagonista da série.
 
[...] estaquei no final do corredor olhando incrédula o ornamento pendurado no alto da parede. Edward riu ao ver minha expressão confusa. – Pode rir – disse ele. – É mesmo meio irônico.
Eu não ri. Minha mão se ergueu automaticamente, um dedo esticado como que para tocar a grande cruz de madeira, [...] – Porque vocês mantêm isto aqui? – perguntei.  – Nostalgia. [...]. (MEYER, 2008, p.240)
           
O autor brasileiro André Vianco em Sétimo (2002) sequencia do livro Os Sete, coloca um diálogo entre dois vampiros onde eles discutem o fato de Deus não importar-se com os vampiros que foram abandonados por ele e considerados amaldiçoados, perseguidos por seus semelhantes, os humanos. Na série, Vianco constrói uma narrativa colocando-os como vampiros originais, criados diretamente pelo demônio que “tomou nossas almas e largou na Terra nossos corpos. Desgraçadamente vivos! Para quê? [...] Por que Deus deixa isso acontecer?” (VIANCO, 2002, p.98).

Esta é outra criação da literatura atual iniciada por Anne Rice na série Crônicas Vampirescas: vampiros que tem moral, senso de que estão cometendo assassinatos, remorso e questionamentos a respeito de sua alma e de Deus, por quem se consideram desamparados.

Referências:
BUSE, I. Drácula: um mito sócio-político? In: Revista Tempo Brasileiro. n.180. Rio de Janeiro: 2010.
MELTON, G. J. O livro dos vampiros – A enciclopédia dos mortos vivos. São Paulo: M. Books do Brasil, 2003.
MEYER, S. Crepúsculo. Rio de Janeiro: Intrínseca, 2008.
VIANCO, A. Os sete. Osasco, SP: Novo Século, 2001.


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