Argumentação sobre as causas do vampirismo




Em 1748, Dom Calmet publicou seu polêmico tratado, a obra fala dos  casos de vampirismo que ele investigou e outros que ele inventariou por toda Europa. O capítulo faz parte do tratado e discute as possíveis causas da crença no vampiros e o que causou o surgimento dos casos.

CAPÍTULO XLVII. Argumentação sobre esta matéria.

Estes autores (os que debatem os casos de vampirismo) argumentaram muito sobre estes acontecimentos.

1. Uns acreditam-nos miraculosos;

2. Os outros os olharam como puro efeito de uma imaginação com a lucidez golpeada ou uma forte superstição;

3. Outros acreditaram que é muito natural e muito simples: estas pessoas não estão mortas, e agitam-se normalmente sobre outros corpos;

4. Outros pretenderam que era a obra do demônio mesmo. Entre estes alguns mencionaram, que havia certos demônios benignos, diferentes dos demônios malignos e inimigos dos homens, aos quais atribuíram muitas atitudes banais e indiferentes, ao contrário dos demônios malvados que inspiram aos homens o crime e pecados, maltratando-os até a morte e lhes causando uma infinidade de outras coisas. Mas o que pode se temer mais? Verdadeiros demônios e espíritos malignos ou os revividos da Hungria e o que causam às pessoas sugando seu sangue e as fazendo morrer?

5. Outros dizem que não são os mortos que mastigam suas próprias carnes ou suas vestes, mas serpentes ou ratos, lobos ou outros animais vorazes, ou mesmo o que os camponeses nomeavam como striges, que são pássaros que devoram os animais e os homens, e sugam seu sangue. Alguns avançam, dizendo que estes exemplos observavam-se principalmente nas mulheres, sobretudo em tempos de peste; mas têm-se exemplos de revividos de qualquer sexo, principalmente homens; embora os que morreram de peste, veneno, raiva, embriaguez ou doenças epidêmicas, sejam mais sujeito a retornar, aparentemente porque o seu sangue coagula-se mais lentamente, além disto, às vezes enterram-se alguns que não estão realmente mortos, devido ao perigo que há de deixá-los longo tempo sem sepultura por medo da epidemia que causariam.

Acrescenta-se que estes vampiros são conhecidos apenas em certos países, como a Hungria, Moravia, a Silésia ou que estas doenças são mais comuns onde os povos se alimentam mal, sendo sujeitos a certos incômodos causados pelo clima e pelo alimento, aumentadas pela imaginação e temor, capazes de produzir ou aumentar as doenças mais perigosas, como a experiência diária prova-o em demasia. Quanto a que alguns insistem que estes mortos podem comer e mastigar como porcos nos seus túmulos, isto é manifestamente fabuloso, não pode ser fundado unicamente sobre superstições ridículas.

Referência:
CALMET, Dom Augustin.
Tratado sobre os aparecimentos dos espíritos, sobre vampiros ou os fantasmas da Hungria, Moravia, Silésia e Polônia. Tomo II. 2ª ed. Paris: 1751.

Nenhum comentário:

Postar um comentário