O uso do cinema na História

Quando foi apresentado pelos irmãos Lumière no final do século XIX, o filme era considerado divertimento de feira, produto de quermesse, atrativo somente para os iletrados, miseráveis, populacho inculto. A primeira intenção deles era filmar a vida, numa correspondência entre a imagem animada e o real posto que a imagem tem um efeito marcante sobre a memória e o filme, por sua vez, tem um efeito de guardar os momentos para a posteridade. 

De acordo com Le Goff (2003) a memória tem a função de conservar informações para atualizá-las e às impressões do passado que representa. Sendo assim, o cinema, como a música, faz parte da memória involuntária que suscita sentimentos e lembranças, momentos e acontecimentos, “experiências fixadas que, no entanto, não estão estáticas, mas sempre relidas no presente.” (PEREIRA, 2007. p. 158-169). O cinema pode ser utilizado como lugar de memória, como o local que transmite as memórias ocultadas e sua capacidade de demonstrar, através das imagens, os relatos e os sentimentos que não são tão óbvios no documento escrito. A análise das manipulações que são feitas nas narrativas e imagens cinematográficas pode demonstrar a fragilidade das certezas e seus limites. 

[...] o cinema é fonte de história, não somente ao construir representações da realidade, específicas e datadas, mais fazendo emergir maneiras de ver, de pensar, de fazer e de sentir. Ele é fonte para a história, ainda que como documento histórico, o filme não produza, nem proponha nunca um "reflexo" direto da sociedade, mais uma versão mediada por razões que dizer respeito à sua função. Entretanto ele é fonte sobre a história, tal qual ela se constitui, na medida em que existem processos de escrita cinematográfica comparáveis àqueles da história mesma. (LAGNY, 2009. p. 105-106)

Em seu início, o cinema era desprezado pelos intelectuais e pela elite que se proclamava culta, sendo até 1960, desprezado também pela academia, mas as mudanças no conceito de fonte histórica mudaram esta visão e “hoje, o filme tem direito de cidadania, tantos nos arquivos, quanto nas pesquisas.” (FERRO, 2010. p. 9). 

Sendo assim o cinema, mais que fonte ou objeto, é também agente da História, haja vista as possibilidades de compreensão da sociedade que produz e recepciona os filmes, no entendimento das mudanças sociais. Cada época entende de forma diferente o mesmo filme e o que produz significado para uns, não representa nada para outros. E a leitura histórica do filme e a leitura cinematográfica da História permitem atingir pontos nem sempre claros nas análises históricas.

Pertencente ao campo de estudos da História Cultural, as imagens – parte da composição de um filme – são representações dos homens sobre si próprios e sua época, seus valores, sonhos, medos, estando repletos de conteúdos simbólicos nem sempre óbvios que são entendidos de forma diferente em cada sociedade. “Da pintura ao cinema, da história em quadrinhos à fotografia, do desenho à televisão, tais imagens povoam a vida a vida e a representam, oferecendo um campo enorme às pesquisas dos historiadores.” (PESAVENTO, 2005. p. 89). 

Na esteira do trabalho de Ferro, surgiram inúmeros outros que discutem as relações entre a história e o cinema visto que, o filme, imagem em movimento, tem o poder de transportar o público para outra realidade, por passar a impressão de as imagens terem sido capturadas do acontecimento, do real. Por este prisma o cinema é, por excelência, uma fonte histórica de importância inquestionável na história contemporânea por sua capacidade de atingir a todos, de moldar mentalidades, sentimentos e emoções além de alcançar, com grande facilidade, parcelas variadas de todas as camadas sociais e culturais.

Entretanto, como qualquer outro documento, ele só se torna fonte quando é utilizado por um historiador na busca por uma resposta, por um sentido para sua existência e sua importância. Sem um objetivo para sua busca o documento, seja ele textual ou imagético, perde seu sentido e torna-se apenas um vestígio de outro período. 

São muitas as possibilidades de interpretação de um filme, como qualquer documento histórico, o cinema é influenciado pelo seu tempo, pelo meio onde está inserido, evidenciando a marca de seus produtores - estes também impregnados dos conceitos, acontecimentos e modo de ver a vida de sua época. Segundo Nova (1996), a maior parte do conteúdo de um filme, especialmente os comerciais, é ditada pelos gostos do público que, por sua vez é influenciado pelo filme, numa relação de troca constante. Sendo assim, podemos entender um determinado momento através do que é passado nas narrativas dos filmes. 

Neste sentido, Lagny (2009) chama atenção sobre o cuidado que se deve ter no trabalho com o cinema como fonte histórica. Primeiro porque ele não é somente um testemunho isolado, faz parte de um conjunto de interações sociais e representações. Cada grupo lê o filme conforme seu conhecimento anterior e o pesquisador deve estar atento para o fato de não considerar óbvio o que não o é. Além disto, é fundamental saber encontrar o filme que responda suas questões. Depois há de se saber ler e interpretar os filmes levando em consideração todo o contexto que o envolve, para ela

Fazer do cinema uma fonte histórica determina evidentemente para começar avaliar a significação do filme no seu contexto sócio-econômico e político, localizado, muito freqüentemente, no quadro nacional, e, é claro datado. As estruturas de produção dos filmes têm sua história própria. [...] Análises precisas são, portanto, necessárias sobre a história dos próprios filmes no contexto histórico geral, para avaliar as significações possíveis da produção de um período, assim como estudar as formas de representações que eles utilizam. (LAGNY, 2009. p. 124).

O cinema no século XX tem relação com a história e a historicidade, a idéia é que não só se use o cinema como fonte da história, mas se faça história sob a influência do cinema e da imagem. 

Se a história escrita está condicionada pelas convenções narrativas e lingüísticas, o mesmo ocorre com a história visual, ainda que neste caso sejam as próprias do gênero cinematográfico. Se aceitarmos que as narrações escritas são "ficções narrativas", então as narrações visuais devem ser consideradas "ficções visuais"; ou seja, não como espelhos do passado, mas sim como representações do mesmo. (ROSENSTONE, 1998. p.7)

Para Rosenstone (1998), as imagens trazem à história o desafio de trabalhar o audiovisual com o escrito e de passar a considerar a validade da história em imagens da mesma forma que a história escrita, sendo apenas sua forma de apresentar e representar diferente, basta para isto quebrar o cânone escrito em razão de outras formas de apresentação da narrativa histórica. O cinema como fonte para a história já é uma certeza, mas ainda temos que entender e superar as dificuldades em seu uso.

Uma das dificuldades apontada por Lagny (2009) é que o filme não é feito para ser arquivado como documento, mas para ser vendido como entretenimento. Desta forma ele tem classificações que são especificas de seu meio e podem causar confusão. Os historiadores tendem a dar mais ênfase aos documentários, considerados como filmes mais próximos da realidade, que buscam a transmissão do real, mesmo em suas montagens. Porém os filmes de ficção também podem ser considerados como fontes por suas representações nas imagens. Além disto, os limites entre os documentários e os filmes de ficção são difíceis de traçar. 

Toda esta discussão é mais latente em torno dos filmes de ficção que retratam acontecimentos históricos. Esta vertente é o foco da atenção de Rosenstone (2010) ao compará-los. 

[...] o pensamento histórico envolvido nos dramas comerciais é, em grande parte, o mesmo [do documentário histórico]: indivíduos (um, dois ou um pequeno grupo) estão no centro do processo histórico. Através de seus olhos e vidas, aventuras e amores, vemos greves, invasões, revoluções, ditaduras, conflitos étnicos, experiências científicas, batalhas jurídicas, movimentos políticos, genocídios. Mas fazemos mais do que apenas ver: também sentimos. (ROSENSTONE, 2010. p. 33)

A grande dificuldade está em vermos a história como escrita, e acreditar que esta escrita é a expressão da verdade enquanto os filmes, como imagens construídas não tem o mesmo estatuto de verdade. O mesmo Rosenstone (2009) faz uma análise de algumas obras do cineasta Oliver Stone e sua visão da história dos Estados Unidos em Nascido em 4 de julho (1989), Platoon (1986) , JFK, a pergunta que não quer calar (1991) como uma representação da história. Nele, eventos são inventados e modificados, momentos chaves são retratados conforme a visão do diretor, mas eles estão lá. A questão é que tanto o filme, quanto a escrita são manipulados. E este é o ponto do autor, a narrativa cinematográfica, assim como a narrativa histórica são construções, o que não tira o mérito e não invalida o uso dos filmes como fontes para o conhecimento da história, desde que, esteja clara e o historiador leve em conta está manipulação, analisando não somente as imagens, mas a forma como são montadas e desencadeada a ação juntamente com o texto, os diálogos, os sons, a narrativa cinematográfica. 

Um bom exemplo destas questões é o filme O retorno de Martin Guerre (1982) adaptado do livro da historiadora Natalie Zemon Davis que faz a análise historiográfica do caso do camponês Martin Guerre, que em pleno século XVI, após casar-se com a jovem e bela Bertrande de Rols fora declarado impotente, abandonara a esposa e a aldeia, e teve o seu lugar ocupado por um impostor, que lhe roubara o nome e a posição. A autora utilizou materiais retirados da literatura ficcional, das narrativas populares junto com uma farta documentação cartorial, de inventários, testamentos, cartas pessoais, listas de óbitos para compor a narrativa. A própria Davis, menciona no prefácio, que muitos pontos da vida de Martin Guerre e da aldeia eram obscuros e que para manter uma narrativa concisa ela preencheu algumas lacunas de acordo com sua interpretação dos documentos. Isto é inventar, pura e simplesmente, embora sejam raros os casos em que os historiadores admitem este “preenchimento de lacunas”. O ponto onde queremos chegar é que os filmes, sejam de ficção ou documentários, são tão válidos para a história quanto os documentos escritos e em todos há manipulação para a reconstrução do passado. Esta mais que superada a idéia de “verdade histórica”. 

O fato é que os filmes, as imagens são necessárias para a criação do imaginário social, neles podemos observar os valores e comportamentos cotidianos. A escrita da História, com seus cânones e suas regras, sua forma de linguagem conceitual afasta o público geral dos livros, este espaço é preenchido pelo audiovisual que, através das imagens torna a História mais fluida e quase um divertimento, desta forma, o imaginário social se prende ao que é visto nos filmes e toma suas representações como expressão da verdade histórica. Isto desperta a desconfiança de grande parte dos historiadores em relação ao audiovisual, de acordo com Hagemeyer (2012).

Isto é ainda mais evidente quando se tratam de produções hollywoodianas, do cinema industrial e comercial. Com seu objetivo claro de divertir e entreter, nem sempre preso a qualquer metodologia histórica, o cinema usa personagens e fatos históricos mesclados à narrativa ficcional e geralmente o público toma o que vê na tela como uma expressão da verdade. É o caso de muitos filmes já analisados por este prisma, Gladiador (2000), Cruzada (2005), entre outros. Filmes que utilizaram ambientes e personagens históricos e acabaram por dar a entender que os fatos ali ocorridos foram reais ou que aquela era a história real dos personagens. As desconfianças em relação ao cinema norte-americano são ainda maiores 

Embora criticada por sua “superficialidade”, “repetição de clichês”, bem como suas “implicações ideológicas” no amortecimento da consciência das massas, as produções hollywoodianas se mantiveram ao longo do século XX como as maiores bilheterias. [...] De qualquer forma, se aceitamos o jogo proposto no cinema clássico como válido (álias, como boa parte do cinema internacional fez ao imitar seus procedimentos), devemos reconhecer a maestria atingida pelos estúdios norte-americanos na produção de efeitos narrativos com a câmera e a maneira como através deles consegue prender nossa atenção. (HAGEMEYER, 2012. p. 85)

Apesar das críticas e reservas em relação ao cinema hollywoodiano de grande escala, não podemos ignorar seu alcance e seu poder de criar imaginários. Em nossa pesquisa histórica, optamos por trabalhar com dois filmes hollywoodianos, dramas comerciais sem nenhuma intenção de ser históricos. São eles Drácula de Bram Stoker (1992) e Entrevista com o vampiro (1994). Ambos tem como personagem principal um vampiro e narram sua história, em Drácula, do ponto de vista de terceiros, em Entrevista com o vampiro, do ponto de vista do próprio vampiro. Entretanto o que nos chama atenção são as várias questões históricas que fazem parte da trama e que podemos analisar. 

Partindo de Drácula, um dos pontos diz respeito exatamente a questão discutida anteriormente sobre a vinculação entre ficção e história. Adaptado do romance de Bram Stoker escrito em 1897, o filme produzido por Francis Ford Coppola criou um prólogo com a intenção de contar a história do conde Drácula. O filme inicia com uma introdução informando que esta se passa no ano de 1462 após a queda de Constantinopla quando os turcos otomanos tentavam dominar a Europa através das fronteiras orientais pela Transilvânia (atual Romênia). Para combatê-los surgiu um cavaleiro da Ordem do Dragão chamado Draculea. Saindo em combate ele deixa à sua espera a noiva, Elisabeta. 

As cenas que se referem à batalha mostram os inimigos sendo empalados, numa clara alusão à Vlad Tepes, o Empalador, personagem histórico mencionado de forma sutil por Stoker. Vencendo a batalha, ele se ajoelha e agradece à Deus por seu sucesso. Para se vingar da vitória os turcos atiram uma flecha no castelo dando a falsa notícia da morte de Drácula. Elisabeta, em desespero, se atira no rio cometendo o maior dos sacrilégios, o suicídio. 

Ao retornar ele encontra a noiva morta e é informado pelos padres ortodoxos que sua alma não encontrará descanso, conforme os preceitos da tradição católica ortodoxa. Drácula se revolta e crava sua espada na cruz, renunciando a Deus e bebendo o sangue que começa a jorrar do corte feito no objeto sagrado, assim se autocondenando às trevas. Esta seqüência de cenas faz a conexão definitiva de Coppola entre Drácula, o vampiro e Drácula, o personagem histórico fundindo-os em um só personagem. A vinculação feita pelo filme Drácula de Bram Stoker com Vlad Tepes criou a idéia que a história ocorreu daquela forma abrindo questionamentos sobre a verdadeira natureza de Drácula e sua história ao mesmo tempo que os acontecimentos retratados na película foram tomados como uma biografia, revigorando uma série de lendas sobre ele, inclusive lendas que dizem ser ele um morto-vivo. 

Em Entrevista com o vampiro (1994), Louis de Pointe du Lac, o protagonista, é um vampiro solitário com cerca de 200 anos, considera-se vazio e sem propósito. Ao encontrar um repórter em um bar, decide lhe contar sua história para reviver seu passado e refletir sobre suas decisões. Ele inicia sua narrativa pelo ano em que foi transformado em vampiro, 1791; fala de sua existência como um morto-vivo, suas angústias e apreensões, demonstra ser uma criatura sempre em busca de entendimento de si e do mundo a sua volta. Foi transformado por Lestat de Liancourt, um vampiro tipicamente literário, que não tem moral, nem qualquer preocupação, vive apenas para satisfazer seu desejo por sangue e diversão. Em seu caminho, eles encontram Claudia, uma órfã que transformam numa criança vampiro. Louis, Lestat e Claudia têm finais diferentes e sua convivência se passa entre amor e ódio, frustrações e tentativas de fazer parte do mundo passando despercebidos entre os mortais através dos séculos, vendo a sociedade modificar-se e buscando seu espaço nela. Nele podemos analisar através do protagonista as angústias e os medos do mundo pós moderno, da sociedade cada vez mais individualista e solitária, em sua fala final ao repórter ele diz ser uma criatura vazia e sem propósito. 

Todas estas questões, que discutimos de maneira breve e simples, não se esgotam. Ainda há muito a ser esclarecido e modificado no que diz respeito ao uso de fontes audiovisuais na história, entretanto um longo caminho já foi percorrido e a validação de estudos, como o nosso, depende da adequação às regras metodológicas do processo de pesquisa histórico, como adverte Lagny (2009) o filme, como qualquer outro documento, deve responder às questões do historiador. Ser considerado e analisado em seu contexto, trabalhado junto à outras fontes complementares que também devem ser analisadas, como sua produção e recepção, sua narração e sua organização para que possa produzir sentido sendo utilizado e analisado visando questões além do campo cinematográfico, visto que, ele não é uma produção isolada, ele é parte da cultura em que está inserido. Ele é um produto situado num contexto cultural e ligado à imagem, à arte, à música, à literatura principalmente, pois a maioria dos filmes são adaptações literárias.

Além disto, para trabalhar com cinema o historiador deve ter conhecimento da história do cinema e saber ler as imagens, da narração e suas construções, a questão do ponto de vista abordado no filme e o que ele pretende demonstrar com isto. Mesmo sendo uma fonte ainda com grandes dificuldades metodológicas, o cinema é um rico documento histórico e ainda há muito a ser explorado pelos historiadores. 

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(Este é um pequeno vídeo que editei - de forma totalmente amadora, é claro - com os vampiros de Drácula e Entrevista com o vampiro dialogando sobre suas existências e seu sentido.)


REFERÊNCIAS:

FERRO, Marc. O filme: uma contra-análise da sociedade? In: _____. Cinema e História. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 2010.
FEIGELSON, Kristian. (orgs.). Cinematógrafo: um olhar sobre a história. Salvador: EDUFBA, São Paulo: UNESP, 2009. p. 99-131.
HAGEMEYER, Rafael R. História & Audiovisual. Belo Horizonte: Autêntica, 2012.
LAGNY, Michèle. O cinema como fonte de História. In: NÓVOA, Jorge; FRESSATO, Soleni Biscouto; 
LE GOFF, Jacques. História e memória. Campinas, SP: UNICAMP, 2003.
NOVA, Cristiane. O cinema e o conhecimento da história. In: Revista Olho da História, Salvador-Bahia, n.03, dez. 1996. Disponível em: <http://www.oolhodahistoria.ufba.br/o3cris.html >. Acesso em: 15 out. 2012.
PEREIRA, S. Escutando memórias: uma abordagem antropológica para o estudo da canção das mídias. In: PESAVENTO, Sandra J. História e história cultural. Belo Horizonte: Autêntica: 2005.
ROSENSTONE, Robert. História em imagens, história em palavras: reflexões sobre as possibilidades de plasmar a história em imagens. In: Revista Olho da História, n. 5. 1998.
_____. A história nos filmes, os filmes na história. São Paulo: Paz e Terra, 2010.
_____. Oliver Stone: historiador da América recente. In: NÓVOA, Jorge; FRESSATO, Soleni Biscouto; FEIGELSON, Kristian. (orgs.). Cinematógrafo: um olhar sobre a história. Salvador: EDUFBA, São Paulo: UNESP, 2009. p. 393-408.
VALENTE, Heloísa A. D. (Org.). Música e mídia: novas abordagens sobre a canção. São Paulo: Via Lettera/Fapesp: 2007.

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